Isso é o que eu quero ser.
Sentei naquele lugar ali sozinha,e percebi que nada faz sentido mas isso todo mundo já sabia!
As pessoas que ali passavam eram tão lindas em sua forma interior e de repente tudo me pareceu tão lindo,o sorriso delas iluminava o ambiente,mais do que as luzes,alguns falavam alto demais e alguns brincavam com suas crianças e eu ficava imaginando como é a vida de cada uma daquelas pessoas que vive comigo nesse mundo onde a felicidade não é mais notada como deveria ser.
Imaginei a vida de umas três crianças de uns 4 anos que brincavam no tapete colorido na porta de entrada,e elas me pareciam ter uma vida muito boa,até porque,com 4 anos,quem não é feliz? ainda mais naquelas condições: soltas pelo shopping com seus brinquedos estranhamente modernos. Reparei que mais a frente estavam reunidas suas mães,rindo e comendo sorvete e me pareciam estar falando das gafes de seus maridos ou das próprias gafes e ficaram lá por muito tempo,sem se importar com a hora.
Olhei dois homens conversando e olhando um carro que estava na entrada do corredor central e eles pareciam gostar muito do que olhavam,um lindo Space Fox vermelho que poderia ser muito útil na vida de muitos que ali estavam,mas eles nem se importavam em ir observa-lo estavam mais preocupados com suas compras primárias...
Foi quando vi entrar pelas portas tapadas com banners que deixou a entrada mais escura,três gerações: Vó,Mãe e Neta de mãos dadas e conversando sobre a nova entrada e andavam bem devagar devido a idade da Vó,elas se pareciam bastante,olhos claros,cabelos louros e meio corpulentas e usavam usavam casacos de lã (exceto a neta),provavelmente devia estar frio lá fora,então,imaginei como a vida delas deve ser divertida,a Neta contando de suas paqueras à avó e elas vendo a novela das 9 como se fosse um filme imperdível.
Foi quando encontrei com meu olhar, uma senhora,uma jovem senhora.Ela vestia roupas que pra idade parecia muito moderna,ela tinha cabelos negros e usava batom vermelho jambo e roupas escuras cobertas por um casaco bege. Ela andava vagarosamente olhando as vitrines das lojas no seu andar de salto desengonçado e balançando sua bolsa pequena na mão esquerda.
Eu não consegui imaginar a sua vida,na verdade consegui sim,mas de várias formas.
Primeiro,a imaginei em um apartamento mal iluminado e pequeno e ela sentada em uma poltrona grande e vermelha dos anos 80 e umas cortinas com flores e não só a cortina mas a toalha de mesa e os enfeites,todos coloridos e floridos e um um cheiro de essência floral das toalhas.
Mas então,mudei de idéia ao ver que ela falar com alguém no telefone,e com certeza me pareceu esperar alguém ali,por isso estava andando tão devagar entre as vitrines que compõe o largo do Shopping. Então o Apartamento,virou uma casa ainda pequena,mas no chão e as flores não eram mais artificiais,na frente da casa devia ter um jardim e no lugar da poltrona,um banco de praça na varanda de casa,onde ela sentava pra fumar uns cigarros e ler suas revistas antigas com seu óculos que denuncia a idade mas não deixam de ser chamativo como todas as suas roupas.
Ela é divorciada e seu único filho mora no exterior e seu novo marido trabalha o dia inteiro,mas quando chega em casa não quer saber de um outro alguém a não ser ela,eles se amam muito e ela julga ser mais feliz agora que está com ele,já que seu ex marido era um controlador descontrolado e sério demais pra aceitar ser jeito de se vestir,mas seu atual não,ele a admira por suas qualidades únicas e adora acordar ao som de sua voz cantando no chuveiro.
Enfim,poderia ficar horas imaginando histórias e pra cada uma poderia fazer um livro com suas vidas fictícias e muitas das vezes eu de longe,vejo mais coisa do que as pessoas que estão com elas no dia a dia,e eu adoro isso *-*

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